quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vamos pensar a longo prazo?

Estudos voltados para a solução dos problemas sociais causados pelo transporte público no Brasil afirmam que as cidades das regiões metropolitanas carecem de eficientes sistemas metroferroviários integrados com outros meios de transporte – única saída para suprir a demanda por transporte de massa.

A pergunta que nos fazemos é: Até quando a solução para o caos no transporte de Florianópolis será a ampliação das estradas e construção de pontes, ao invés de medidas em longo prazo? Afinal, daqui a cinco ou dez anos o problema se repetirá, até que nossos “representantes” encontrem uma solução realmente viável.

Sabemos que a Prefeitura vem buscando uma solução para o problema, com projetos de teleféricos, por exemplo, enquanto as empresas de ônibus investem na compra de modelos maiores e mais eficientes, para que a grande demanda de passageiros seja suprida. Enquanto isso, esperamos ansiosamente a solução deste problema que nos afeta diariamente.


Teleféricos rumo à imobilidade

Artigo de Márcio Ponte – professor, sociólogo e cientista político (DC, 27/04/2013)

No momento em que se busca o melhor modelo para resolver problemas de mobilidade urbana na Grande Florianópolis, é oportuno aprofundar a discussão sobre as possíveis soluções. Uma delas em especial, o teleférico, chama a atenção, uma vez que seu funcionamento pode ser comprometido por diversos fatores.

Durante o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, em Florianópolis, o especialista que palestrou sobre a utilização de teleféricos explicou que o sistema é viável em condições de vento de até 120 km/hora – com adaptações robustas. Também informou sobre o uso quando há risco de descargas elétricas. Neste ano, os raios no Rio de Janeiro fizeram com que o teleférico do Complexo do Alemão fosse parado várias vezes.

O modelo não pode ser considerado em transporte de massa, uma vez que só atende a uma pequena parcela dos habitantes da área, servindo mais como atração para turistas. O teleférico do Alemão atende a 11% da população do complexo, bem abaixo dos 70% previstos na inauguração. Isso a um custo de R$ 2 milhões/mês aos cofres do governo do Estado.

Florianópolis garantiu recursos do PAC 2 para a implantação de um teleférico similar ao do Alemão, ligando a UFSC ao Centro, passando pelo Morro da Cruz. Duas empresas manifestaram interesse e em junho devem apresentar propostas. Um dos grupos fala em teleféricos, enquanto o outro prevê um sistema inteligente de transporte, referência na Inglaterra. As duas propostas serão integradas a outros mecanismos de transporte de massa.
É fundamental que os modelos em discussão sejam apresentados à sociedade para evitar que Florianópolis repita os erros do Rio de Janeiro. O transporte público a ser definido precisa atender à comunidade e não ao turista.



Veja Também

Capital ganha página na internet para acompanhar a evolução da mobilidade urbana

A capital catarinense é uma das cidades brasileiras avaliadas na seção Acompanhe a Mobilidade, recém-lançada pelo portal Mobilize Brasil. Na página é possível saber tudo sobre a situação presente dos transportes na cidade e entender como andam os projetos de mobilidade urbana sustentável (BRT, teleféricos, ciclovias e calçadas) previstos para os próximos anos.

A seção é o resultado de um trabalho árduo de meses de garimpo e consolidação de dados que envolveu minha dedicação pessoal e de toda a equipe do Mobilize, na busca de informações dispersas e algumas até controversas”, explica Ricky Ribeiro, criador e diretor do portal.

A seção Acompanhe a Mobilidade foi concebida na forma de gráficos e tabelas, para que as informações estejam acessíveis de forma direta e objetiva. Na página principal o leitor tem acesso a vários indicadores de mobilidade, com comparações entre as cidades brasileiras. São dados como:

- estrutura cicloviária
- metrô
- ônibus acessíveis
- custo da tarifa de ônibus
- calçadas
- rampas para cadeirantes
- arborização
- existência de placas de ruas
- quantidade de viagens motorizadas
- emissão de poluentes por veículos
- mortes no trânsito, e outras informações de cada cidade.

Por enquanto, a seção reúne dados de Manaus, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Curitiba e Porto Alegre, além de dados parciais de Campo Grande e Florianópolis.

O portal Mobilize Brasil pretende ampliar gradativamente a abrangência da seção, até atingir as capitais e principais cidades do país.

A ideia, segundo Ricky Ribeiro, é estimular a participação de voluntários em todo o Brasil para gerar um mapa nacional da mobilidade urbana sustentável. “Os números que levantamos, já mostram, por si, que caminhamos para uma situação caótica, e que em breve seremos ilhas isoladas num mar de carros, caminhões e ônibus. Se desejamos reverter este quadro, é necessário que cada cidadão atue para melhorar as condições de circulação de pedestres e estimular os investimentos em transportes coletivos nas cidades”, conclui o diretor do Mobilize.


(Por Mobilize Brasil; http://www.mobilize.org.br/, 10/04/2013)

0 comentários:

Postar um comentário