Estudos
voltados para a solução dos problemas sociais causados pelo
transporte público no Brasil afirmam que as cidades das regiões
metropolitanas carecem de eficientes sistemas metroferroviários
integrados com outros meios de transporte – única saída para
suprir a demanda por transporte de massa.
A
pergunta que nos fazemos é: Até quando a solução para o caos no
transporte de Florianópolis será a ampliação das estradas e
construção de pontes, ao invés de medidas em longo prazo? Afinal,
daqui a cinco ou dez anos o problema se repetirá, até que nossos
“representantes” encontrem uma solução realmente viável.
Sabemos
que a Prefeitura vem buscando uma solução para o problema, com
projetos de teleféricos, por exemplo, enquanto as empresas de ônibus
investem na compra de modelos maiores e mais eficientes, para que a
grande demanda de passageiros seja suprida. Enquanto isso, esperamos
ansiosamente a solução deste problema que nos afeta diariamente.
Teleféricos
rumo à imobilidade
Artigo
de Márcio Ponte – professor, sociólogo e cientista político (DC,
27/04/2013)
No
momento em que se busca o melhor modelo para resolver problemas de
mobilidade urbana na Grande Florianópolis, é oportuno aprofundar a
discussão sobre as possíveis soluções. Uma delas em especial, o
teleférico, chama a atenção, uma vez que seu funcionamento pode
ser comprometido por diversos fatores.
Durante
o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, em Florianópolis, o
especialista que palestrou sobre a utilização de teleféricos
explicou que o sistema é viável em condições de vento de até 120
km/hora – com adaptações robustas. Também informou sobre o uso
quando há risco de descargas elétricas. Neste ano, os raios no Rio
de Janeiro fizeram com que o teleférico do Complexo do Alemão fosse
parado várias vezes.
O
modelo não pode ser considerado em transporte de massa, uma vez que
só atende a uma pequena parcela dos habitantes da área, servindo
mais como atração para turistas. O teleférico do Alemão atende a
11% da população do complexo, bem abaixo dos 70% previstos na
inauguração. Isso a um custo de R$ 2 milhões/mês aos cofres do
governo do Estado.
Florianópolis
garantiu recursos do PAC 2 para a implantação de um teleférico
similar ao do Alemão, ligando a UFSC ao Centro, passando pelo Morro
da Cruz. Duas empresas manifestaram interesse e em junho devem
apresentar propostas. Um dos grupos fala em teleféricos, enquanto o
outro prevê um sistema inteligente de transporte, referência na
Inglaterra. As duas propostas serão integradas a outros mecanismos
de transporte de massa.
É
fundamental que os modelos em discussão sejam apresentados à
sociedade para evitar que Florianópolis repita os erros do Rio de
Janeiro. O transporte público a ser definido precisa atender à
comunidade e não ao turista.
Veja
Também
Capital
ganha página na internet para acompanhar a evolução da mobilidade
urbana
A
capital catarinense é uma das cidades brasileiras avaliadas na seção
Acompanhe a Mobilidade, recém-lançada pelo portal Mobilize Brasil.
Na página é possível saber tudo sobre a situação presente dos
transportes na cidade e entender como andam os projetos de mobilidade
urbana sustentável (BRT, teleféricos, ciclovias e calçadas)
previstos para os próximos anos.
“A
seção é o resultado de um trabalho árduo de meses de garimpo e
consolidação de dados que envolveu minha dedicação pessoal e de
toda a equipe do Mobilize, na busca de informações dispersas e
algumas até controversas”, explica Ricky Ribeiro, criador e
diretor do portal.
A
seção Acompanhe a Mobilidade foi concebida na forma de gráficos e
tabelas, para que as informações estejam acessíveis de forma
direta e objetiva. Na página principal o leitor tem acesso a vários
indicadores de mobilidade, com comparações entre as cidades
brasileiras. São dados como:
-
estrutura cicloviária
-
metrô
-
ônibus acessíveis
-
custo da tarifa de ônibus
-
calçadas
-
rampas para cadeirantes
-
arborização
-
existência de placas de ruas
-
quantidade de viagens motorizadas
-
emissão de poluentes por veículos
-
mortes no trânsito, e outras informações de cada cidade.
Por
enquanto, a seção reúne dados de Manaus, Fortaleza, Natal, Recife,
Salvador, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de
Janeiro, Cuiabá, Curitiba e Porto Alegre, além de dados parciais de
Campo Grande e Florianópolis.
O
portal Mobilize Brasil pretende ampliar gradativamente a abrangência
da seção, até atingir as capitais e principais cidades do país.
A
ideia, segundo Ricky Ribeiro, é estimular a participação de
voluntários em todo o Brasil para gerar um mapa nacional da
mobilidade urbana sustentável. “Os números que levantamos, já
mostram, por si, que caminhamos para uma situação caótica, e que
em breve seremos ilhas isoladas num mar de carros, caminhões e
ônibus. Se desejamos reverter este quadro, é necessário que cada
cidadão atue para melhorar as condições de circulação de
pedestres e estimular os investimentos em transportes coletivos nas
cidades”, conclui o diretor do Mobilize.
Site
do Mobilize SC:
http://www.mobilize.org.br/acompanhe-a-mobilidade/default.aspx?cidade=15

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